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Foto por Markus Spiske

A-certo

Há 19 anos, na minha primeira ida a Alemanha, eu me esforcei ao máximo para “chegar bem” e me moldar a esse país desconhecido. Não conhecia nada dessa cultura, e aqui me aconselharam a ser discreta, visto que o povo Alemão não era de fazer amizade com estranhos. Eu tinha 22 anos, e não considerei que jovem é jovem em qualquer lugar do mundo. Ao chegar lá, os anfitriões haviam preparado um churrasco para mim. Por medo de errar, eu só fiquei meia hora na minha própria festa, o que causou irritação, afinal de contas o que se espera dos brasileiros é que eles sejam os últimos a sair.

Quem nunca se pegou em uma situação pontual se esforçando para fazer o “certo”, agradar, ser aceito. O que se esquece é que para fazer o certo se pressupõe que existe também o “errado”, e esse é o ponto central. Existem moldes, padrões e comportamentos que são considerados adequados ou inadequados por certos grupos e culturas. O principal pressuposto da programação neurolinguística diz: O mapa não é território. Em outras palavras, vemos o mundo através de filtros, e é a partir deles que construímos o nosso modelo de mundo.

O modelo de mundo é uma soma dos nossos padrões familiares, da nossa cultura, das pessoas com quem nós convivemos, do que aprendemos e de como vivemos. Não é à toa que o americano Robert Kegan, especialista em desenvolvimento, diz que uma das formas de nos desenvolvermos é sairmos do nosso conforto e experimentarmos novos contextos. Nada melhor do que vivenciar uma cultura diferente da sua por um tempo para entender que não existe apenas um jeito de se fazer as coisas.

Vamos imaginar que não existisse a necessidade de se enquadrar em nada, e nem de julgar situações como certas ou erradas, e se respeitasse o modelo de mundo das pessoas, no máximo as convidando para conhecer outros modelos e ampliar suas possibilidades. Estaríamos vivendo melhor ou pior? Independente da resposta, algo é certo: Seríamos mais livres.

E se eu, ao chegar na Alemanha, tivesse me preocupado menos em agradar, e mais em me divertir e conhecer as pessoas, que tipo de histórias eu estaria contando agora sobre o meu primeiro contato com eles? E se eu tivesse olhado menos para padrões, moldes e pré-conceitos e mais para o contexto de jovens de vinte e poucos anos querendo conhecer novas culturas?

E eu finalizo com um convite: Fuja de uma opção “correta”, de um encaixe perfeito, de ser lembrado por uma “caixa”. Cause impacto pelo que você é de verdade. Aceite não fazer parte da maioria, ou não se enquadrar. Pague o preço.

Foto por Markus Spiske

 

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