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Coronavírus: o maior problema dos últimos tempos?

Há uns três anos, em conversa com um grande colega de trabalho, ouvi pela primeira vez o termo “Problema Perverso”. Há poucos dias comecei a me conectar  novamente com o tema e gostaria de compartilhar alguns pontos com vocês. Estamos passando por um problemão perverso, daqueles que eu e muitos de vocês nunca imaginou vivenciar.

Só para vocês terem uma ideia do que é um problema perverso, abaixo algumas características:

1 – Ele tem várias faces;
2 – Ele envolve várias pessoas;
3 – Ele tem múltiplas causas;
4 – Ele apresenta vários sintomas;
5 – Ele tem múltiplas soluções;
6 – Ele está evoluindo constantemente.

Alguns problemas perversos bastantes conhecidos por nós: aquecimento global, tráfego, pobreza, fome, guerras.

Atualmente o mundo está passando junto pelo Coronavírus, e se vocês acham que esse é o único problema perverso do momento, estão bem enganados. O codiv-19 é, no nosso contexto, a gota que transborda, a ponta do iceberg.

Hoje eu gostaria de falar para vocês sobre um dos itens que citei acima (o item 1): As várias faces dos problemas perversos. O objetivo é compreender melhor sobre como a visão sistêmica está relacionada a tudo isso que estamos vivendo.

Para começar, vou citar o modelo AQAL (Fonte: Livro Wicked & Wise. How to solve the World’s Toughest Problems, de Alan Watkins e Ken Wilber). Segundo este modelo, os problemas tem 4 dimensões:

A – Consciência Individual (emoções: pensar, sentir, etc.)
B – Comportamento Individual (ações: fazer, sistema)
C – Coletiva Interna (Cultura)
D – Coletiva Externa (Meio Ambiente)

Vou explicar o modelo acima de uma forma bem prática:

A – Consciência Individual (emoções: pensar, sentir, etc.) 

Eu estou respirando sozinha, num ritual de concentração. Eu estou tendo a experiência da respiração e, ao mesmo tempo, tenho pensamentos. Exemplo: Preciso confirmar a minha consulta no médico.

B – Comportamento Individual (ações: fazer, sistema)

Eu decido sair para dar uma volta de bicicleta. Eu sou a mesma pessoa, só que em outro contexto, vivendo outra experiência, e fazendo trocas com o meu sistema (vendo e sendo vista).

C – Coletiva Interna (Cultura)

Eu me junto a um grupo de amigos para fazer uma trilha. Me conecto com outras pessoas.

D – Coletiva Externa (Meio Ambiente)

Eu paro para tomar uma água de coco. Continuo conectada com as pessoas, e ao mesmo tempo contemplo a paisagem a minha frente.

Entenda: Pessoas que vivem a pobreza e pessoas que estudam a pobreza vão dar soluções diferentes para o mesmo problema, pois cada uma delas vivencia as faces do mesmo de uma forma distinta.

Perceba que os problemas têm facetas internas (sentir), e externas (fazer).

A questão crucial nos problemas perversos é que a preocupação maior é com as facetas externas:

– O que estamos fazendo a respeito do problema?
– O que precisa ser consertado?
– Qual o papel das pessoas nessa solução?

O que se esquece um pouco, na ânsia resolutiva que os tempos atuais exigem, é de se lidar com as facetas internas (sentir) que esses problemas provocam nas pessoas.

Vou dar um exemplo de outro contexto:

Imagina uma empresa que quer implementar um novo sistema e não consegue êxito. Ela contrata uma consultoria para treinar a equipe. Ela está levando em consideração as faces externas (fazer). Ainda com o treinamento, a equipe não usa o sistema como deveria. Nesse caso, existem facetas internas do problema (sentir). O desconforto com o sistema tem a ver com as pessoas e o que elas sentem a respeito das mudanças, e esses aspectos do sentir, apesar de não serem levados em consideração, são tão importantes quanto os do fazer.

Os problemas perversos se tratam, também, de transições e relações pessoais.

Gostaria de voltar agora para o nosso contexto atual e o nosso problema popular: O Coronavírus.

Várias ações estão sendo feitas. Nesse caso gostaria de mencionar que, sob a minha percepção, os itens 5 e 6 do início do texto (múltiplas soluções e evolução do problema) estão sendo pouco explorados.

O sentimento geral é de preocupação, medo e incerteza. As mudanças são tão profundas, que existe uma tendência a querer “salvar o seu formato”, “se posicionar”, “pertencer”. A onda está cada vez maior, avançando sobre nós, e o que eu sinto é que a ficha para muitos ainda não caiu. Não é durante o movimento da onda que as coisas vão se reorganizar.

É depois.

Não adianta ter pressa e querer as soluções agora. O foco deve ser olhar para o coletivo e conseguir surfar a onda sem se afogar. Quando ela quebrar, aí sim, olharemos para o horizonte. E nessa hora, quem tiver o maior potencial de se adaptar vai sair na frente.

Reflita. 

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