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fotoMaria

Pare-ser

Na semana passada, eu aprendi uma lição com a minha filha de dois anos. A mesa do café da manhã estava posta. Havia três opções de frutas cortadas: Mamão, Melão e Laranja. Eu ofereci as três, e ela respondeu: Eu quero Melancia. Aquela reação me irritou. Como assim, melancia? E o desperdício? E a consciência? E o potencial de adaptação? E o ego?

A diferença entre a minha filha e eu, é que eu sou mais desenvolvida do que ela. Se o processo de evolução pudesse ser comparado a um prédio de sete andares,  ela estaria no terceiro andar, e eu no sexto. Ken Wilber diria que cada vez que se sobe um andar, você transcende e inclui o andar inferior, ou seja, quem está nos andares superiores sabe exatamente o que acontece abaixo. Já quem não subiu ainda, tem suas limitações de informação.

Quando se fala em desenvolvimento, há um grande mal-entendido. Alguns acreditam que pessoas que estão nos níveis mais elevados são “melhores”. Fredericc Laloux, um dos pensadores sistêmicos mais respeitados da atualidade, trata o tema com bastante cautela. Segundo ele, “uma interpretação mais útil é a de que os estágios posteriores são formas mais complexas de lidarmos com o mundo.”

Também é importante ressaltar que cada estágio de desenvolvimento vai se adequar a um determinado contexto, ou seja, em determinadas situações, pode ser extremamente saudável agir e decidir com base em uma etapa “anterior” de desenvolvimento do que a que você já conquistou.

E é nesse ponto que quero voltar à mesa do café da manhã. Bernd Isert adorava dizer aos quatro cantos que “as soluções estão em todos os lugares”, e é verdade. O que estamos esquecendo, nesse mundo complexo em que vivemos, cheio de aspectos que tem que ser levados em consideração e acordos subliminares a cumprir, é de voltar aos estágios mais primitivos do nosso desenvolvimento, e dizer, com clareza, o que nós queremos. O que nós queremos SER.

Ser é muito mais do que enxergar soluções em todos os lugares. Ser é muito mais do que escolher entre opções. Ser é essência. É sim ou não. É quero ou não quero. É funciona ou não funciona. É brilho no olhar ou não. Ser é ser, e não parecer ser.

Para ser, de verdade, você tem que descer todas as escalas desse seu “prédio” de sete andares, e se reconectar com a sua essência, andar por andar. Ser não permite negociações. É tempo de explorar a sua existência. É tempo de ser.

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