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Me ajuda a escolher um nome

Você sabe o que eu mais gosto no meu trabalho? É não saber como vai começar.

O protagonista chega. Senta. Fala. Fala mais.

Eu escuto, atenta. Dentro de mim começa uma dança. Dança com as palavras, as vivências, os contextos. As frases se sobrepõem, se cruzam, se misturam. Eu ouço. Eu observo o protagonista.

O olho começa a brilhar. O olho fica turvo. As mãos se mexem rápido. O suor chega. A lágrima cai.

Eu sinto tudo. Cada segundo. Eu sinto a pausa. Eu interrompo. Faz parte. Parece que tem uma vozinha me guiando, um sentimento aqui dentro: faz essa pergunta, pede pra tirar uma carta. Vai por esse caminho da carta. Pega os bonecos. Não pega os bonecos. Fica só conversando. Para de conversar. Pergunta se você deve avançar. Não pergunta. Pergunta mais. Pergunta diferente.

Ontem eu atendi Joana. Ela falava do tema sem entrar em contato com ele. Eu observava. Eu não sentia qual era o próximo passo. Eu não sabia como avançar. Eu olhava para ela.

Ela falava.
Eu olhava.
Ela falava.
Eu conversava com a vozinha em silêncio.
A resposta não vinha.
Eu calei.
Joana calou.

Eu pedi:

– Joana, fecha os olhos.

A partir desse momento, o jogo virou. Ela começou a me guiar. Era um bate e volta. Ela falava e eu rebatia:

Ela: Está tudo escuro.
Eu: (…)
Ela: Eu vejo uma mão.
Eu: (…)
Ela: Eu consigo me ver.

Silêncio

Ela: Eu consigo ver a minha filha.
Eu: (…)

Choro.

Eu(…)
Ela: Eu me vejo grávida.

A sessão aconteceu. Joana estava lá, vivendo tudo . Encontrando respostas, resgatando emoções perdidas, entrando em contato. Não dava mais tempo de pensar, estava acontecendo. Só dava tempo de acompanhar. A conexão estava lá.

Em algum momento, nós paramos. As duas. Ficamos em silêncio. Acabou por hoje. Missão cumprida.

Nós vivemos uma coisa diferente. Só nossa. Nos despedimos sem falar muito. Havia cumplicidade.

Você sabe o que eu mais gosto do meu trabalho? É não saber como vai terminar.

Anne K.

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