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Você acha que eu sei dançar salsa?

Aprender a dançar é algo trabalhoso. Já faz uns anos, eu estava em um bar cubano ouvindo salsa. Eu estava sentada, me mexendo no ritmo da música, quando um sorriso charmoso me convidou para dançar. Eu aceitei, de pronto. Parecia fácil, já que eu sou latina, conheço o ritmo e sei dançar outras coisas. Não deu certo. Eu não sei dançar salsa. Ele percebeu, ainda se esforçou para me ensinar um ou outro passo, e eu desisti.

 

Anos depois, eu fui contratada por uma empresa para fazer um trabalho sistêmico com a equipe. Nesse trabalho, uma vez por mês eu converso com alguns colaboradores sobre as suas necessidades pontuais. A conversa é livre. Eu não tenho roteiro ou recomendação prévia. O colaborador chega e fala sobre o que ele quer falar. Foi assim que Joana chegou. Ela se sentou e disse:

 

– Hoje eu quero falar sobre o meu lado profissional. Eu quero ser mais produtiva. Muitas vezes, eu fico ansiosa com o tanto de coisa que eu tenho pra fazer.

 

Na hora eu me lembrei do bar cubano e da ansiedade que eu senti quando não consegui dançar salsa. Ser um bom profissional é como ser um bom dançarino. Cada cargo que você ocupa é como um ritmo novo que você precisa aprender.

 

Quando Joana começou a falar da pilha de orçamentos esperando para serem enviados, dos clientes impacientes que querem resposta imediata, das cobranças do líder, dos e-mails com prazo de 1 dia útil para serem respondidos e dos fornecedores inacessíveis, ficou claro para mim que Joana sabe o que deve ser feito e sabe até como fazer. O que ela ainda não aprendeu foi a coordenar todas essas atividades com maestria.

 

Joana ainda não sabe que vendas podem ser perdidas se o orçamento não for enviado imediatamente, quais os clientes mais apressados e os mais tranquilos e quando seria o momento ideal para pedir ajuda ao líder ou responder aos e-mails. Ela também não criou vínculo com os fornecedores ainda e, por tudo isso, se sente ansiosa.

 

É muito bonito observar um bom dançarino e ver todos aqueles movimentos em sincronia com o ritmo da música. Cada movimento faz sentido e é feito no tempo certo. Quem está assistindo, não imagina que esse dançarino ralou muito para atingir toda aquela desenvoltura. Ele certamente machucou o pé algumas vezes e tudo bem. Quando o foco é aprender a dançar, o pé machucado é só um detalhe.

 

No final da sessão, Joana entendeu que o tema dela era até mais importante do que ela imaginava. Ela se perguntou se ela queria, ou não, aprender a tal “dança” e também se questionou se não seria possível se apaixonar pela dança” durante o processo de aprender. Ela saiu da sessão com perguntas. As perguntas certas.

 

Eu, até hoje, não aprendi a dançar salsa.

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